sexta-feira, 26 de julho de 2013

Comentário da Epístola aos Romanos


Devemos ter em mente que a contextualização histórica e sociocultural auxilia em muito na
compreensão da sociedade à época do apóstolo Paulo, porém, pouco auxilia na
compreensão das nuances que firmam a idéia que o apóstolo procurou transmitir.
Introdução
Há vários quesitos a serem observados quanto à interpretação das cartas bíblicas. No
decorrer deste estudo sobre a carta aos Romanos destacaremos vários quesitos necessários
a uma interpretação segura.
Em primeiro lugar faz-se necessário ler o texto da carta desconsiderando as divisões em
capítulos e versículos. O leitor deve ter em mente que as divisões foram feitas somente
para auxiliar na localização de frases nos textos, e que elas não guardam vínculos com a
estrutura de idéias que a carta desenvolve.
Caso o leitor interprete o capítulo um da carta aos Romanos sem considerar os capítulos
dois e três poderá incorrer em vários erros.
Em segundo lugar é necessário contextualizar a carta com aspectos pertinentes a vida do
remetente. A contextualização não deve se ater a eventos históricos, onde se destacam
somente elementos pertinentes a sociedade de então. Devemos ter em mente que a
contextualização histórica e sociocultural auxilia em muito na compreensão da sociedade à
época do apóstolo Paulo, porém, pouco auxilia na compreensão das nuances que firmam a
idéia que o apóstolo procurou transmitir.
Devemos ler a carta como um texto uníssono, isto é, sem divisões, fazer uma interpretação
deste texto e depreender aspectos importantes da mensagem que o escritor da carta é
acostumado a desenvolver. Depois é preciso aplicá-la à idéia geral que a carta procura
transmitir. Para compreendermos o capítulo um da carta aos Romanos seguimos o seguinte
raciocínio:
a) O apóstolo Paulo geralmente enfatiza em suas cartas a liberdade do cristão decorrente
do evangelho de Cristo I Co 8: 9; 10: 29; Gl 2: 4; Gl 5: 13;
b) Pela postura do apóstolo em enfatizar a liberdade em Cristo, algumas pessoas passaram
a considerar e a divulgar que Paulo andava segundo a carne, ou seja, que ele incentivava a
libertinagem II Co 10: 2; Gl 5: 13;
c) A postura de algumas pessoas era a de que o apóstolo Paulo andava segundo a carne, e
não consideravam que a mensagem do apóstolo Paulo e a do apóstolo Pedro são idênticas
I Pe 2: 16;
d) O apóstolo prevendo que tais pessoas já haviam se introduzido em meio aos cristãos de
Roma, visto que, até aquele momento ele fora impedido de visitá-los, Paulo dá início a carta
com um discurso incisivo demonstrando o quanto é condenável a humanidade sem Deus
"Do céu se manifesta a ira de Deus sobre a impiedade e injustiça dos homens que detêm a
verdade pela injustiça" Rm 1: 18;
e) O discurso que o apóstolo apresenta no capitulo um da carta aos Romanos, do versículo
dezoito aos trinta e dois, tem o objetivo de cativar as pessoas que consideravam o apóstolo
propagador de uma vivencia desregrada, enlaçando-os em seus próprios argumentos.
Porém, como é próprio ao apóstolo, o capítulo dois demonstra que não há diferença entre
os homens, sejam eles quem forem. Rm 2: 1.
Observe que a idéia da carta é única, e não se restringe as divisões em capítulos.
Durante a interpretação não podemos perder de vista que:
a) a salvação é pela graça e por meio da fé somente Ef 2: 8;
b) a condenação da humanidade se deu em Adão "Pois assim como por uma ofensa veio o
juízo sobre todos os homens, para condenação..." Rm 5: 18, e;
c) a ira de Deus sobre a humanidade não é em decorrência da depravação ética e moral; a
ira de Deus repousa sobre a humanidade porque estes são filhos da desobediência, filhos da
ira e filhos de Adão Ef 2: 2- 3.
Qualquer interpretação que destoe das proposições acima deve ser desconsiderada. Caso
alguém interprete um texto e conclua que a salvação é por obras, deve rever a sua análise,
pois esta não foi a idéia que o escritor procurou transmitir.
Os judaizantes, os legalistas, os moralistas e os formalistas sempre se empenharam em
demonstrar o quanto a humanidade está perdida apontando as depravações dos pagãos.
Paulo, por sua vez demonstra que a humanidade está perdida, não por questões
comportamentais e morais, e sim, por todos estarem debaixo do pecado Rm 3: 9- 19.
O homem é pecador porque foi concebido nesta condição Sl 51: 4. O pecado está
vinculado diretamente a natureza do homem, e não às suas ações. O homem é pecador por
ter nascido da semente corruptível de Adão, vendido como escravo, e sob condenação
"Pois como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores..." Rm 5:
18.
Descobrir o que motivou o escritor da carta é o terceiro quesito que auxilia, em muito, a
interpretação de uma carta.
Com esta análise prévia conseguimos evidenciar o objetivo primário do apóstolo quando
descreve a depravação da humanidade: fazer calar a boca daqueles que diziam que Paulo
apregoava ser necessário fazer o mal, para que venham bens "Façamos males, para que
venham bens?" Rm 3: 8.

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