No dia 2 de outubro completou 20 anos da trágica história do massacre
do Carandiru, quando mais de 111 detentos foram mortos. Jacy Lima de
Oliveira, 47 anos, hoje pastor evangélico, era um dos presos que cumpria
pena no local e que só sobreviveu por um milagre.
“Eu tive um privilégio, que tenho pra mim como um milagre, porque
muitos que passaram ali, como eu, morreram a facada, a tiro a queima
roupa na cabeça”, relata Oliveira para a reportagem do G1.
Naquele dia ele estava escalado para fazer a comida na cela e por
isso saiu do banho de sol minutos antes da rebelião começar. “Quando
decretaram a rebelião, a gente estava esperando a hora, porque
automaticamente o Choque ia entrar. Aí começaram a quebrar tudo”.
Em seu depoimento, Jacy recorda que passou pelo chamado corredor da
morte no Pavilhão 9 por duas vezes e não foi atingido, mas viu muitas
pessoas morrendo. “Eu passei no corredor da morte duas vezes. Descendo
em direção ao pátio e voltando. Subiram na minha frente umas 80 pessoas e
eu ouvi o grito da morte delas.”
As recordações que Jacy tem sobre o dia estão no livro “Eu sobrevivi
para testemunhar o massacre do Carandiru”, livro que será lançado ainda
este ano.
Quem também sobreviveu ao massacre e está lançando um livro para
testemunhar o que presenciou ali é Sidney Salles, que chegou muito perto
da morte e se protegeu recitando o Salmo 91.
Ele sabia que seria morto porque foi escolhido por um dos policiais
para carregar alguns corpos. Um dos últimos corpos que ele carregou era
de um preso que estava fazendo o mesmo que ele.
Fugindo para os andares superiores do pavilhão, Sales encontrou um
policial que lhe fez uma proposta: encontrar a chave que abria a sela em
um molho de chaves tendo apenas uma chance. “Quando ele cata aquela
chave, eu recito o salmo 91, e quando ele bate a chave e torce, o
cadeado abre, e milagrosamente eu entro pra dentro daquela cela.”
Sidney saiu da prisão e acabou se envolvendo novamente com o mundo do
crime, em uma troca de tiros com uma gangue rival, isso depois de ser
solto, foi baleado e ficou paraplégico. Mesmo na cadeira de rodas ele
foi preso novamente e foi evangelizado por voluntários de uma igreja
evangélica.
Hoje Sidney coordena um centro de reabilitação para jovens viciados
em drogas que ajuda 120 pessoas em uma chácara na cidade de Jundiaí. O
livro contando esses relatos recebeu o nome de “Paraíso Carandiru”.
Gospelprime / jesusfiel.com
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
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