sábado, 8 de setembro de 2012
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Enciclopédia>>> JOSÉ Aquele que remove ou amenta
O filho mais velho de Jacó e Raquel (Gn 30:23, 24) que, quando ele nasceu, disse: “Deus tirou de mim a minha vergonha”. “O Senhor me acrescente outro filho” (Gn 30:24). José teria cerca de seis anos quando o seu pai deixou Harã e se dirigiu para Canaã, passando a morar na velha cidade patriarcal de Hebrom. “E Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos porque era filho da sua velhice” e ele “fez-lhe uma túnica de várias cores” (Gn 37:3), i.e., um vestido comprido tal como usavam as crianças nobres. Esta parece ser a tradução correcta. A frase, no entanto, pode também significar “um casaco de várias peças”, i.e., uma obra feita de muitos pequenos peças de diversas cores.
Quando tinha cerca de 17 anos, os irmãos de José começaram a sentir um ódio invejoso por ele (Gn 37:4). Eles “aborreceram-no e não podiam falar com ele pacificamente”. Esta fúria tornou-se maior quando ele começou a contar-lhes os seus sonhos (Gn 37:11).
Jacó desejando ter notícias dos seus filhos, que estavam em Siquém com os seus rebanhos, a cerca de 112 Km de Hebrom, enviou José como seu mensageiro, a fim de saber como eles estavam. José descobriu que eles tinham deixado Siquém e se tinham dirigido para Dotã, pelo que os seguiu. Mal o viram chegar, os irmãos começaram a arquitectar algo contra ele e tê-lo-iam mesmo morto, se Rúben não tivesse intervindo a seu favor. Acabaram por vendê-lo a um grupo de comerciantes ismaelitas, por vinte peças (siclos) de prata, dez peças menos do que o valor de um escravo, pois “pouco se importavam com o que recebessem, desde que se livrassem dele”. Estes comerciantes levavam várias mercadorias para o mercado egípcio e assim o levaram também para lá, acabando por vendê-lo como escravo, a Potifar, “um eunuco de Faraó e capitão da guarda” (Gn 37:36). “O Senhor abençoou a casa daquele egípcio por causa de José” e Potifar fê-lo administrador da sua casa. Por causa de uma falsa acusação por parte da mulher de Potifar, este mandou-o para a prisão (39; 40), onde José permaneceu durante, pelo menos, dois anos. Algum tempo depois, o “copeiro-mor” e o “padeiro-mor” de Faraó foram para a mesma prisão onde estava José (Gn 40:2). Ambos os prisioneiros tiveram um sonho na mesma noite, os quais José interpretou, tendo acontecido exactamente o que dissera que aconteceria.
Isto fez com que José fosse lembrado pelo copeiro-mor, quando Faraó teve também um sonho. Por sua sugestão, José foi trazido à presença do rei, a fim de interpretar também o seu sonho. Faraó ficou satisfeito com a sabedoria de José para interpretar o seu sonho e com o conselho que ele lhe deu relativamente aos acontecimentos preditos; pô-lo, então, sobre toda a terra do Egipto (Gn 41:46), dando-lhe o nome de Zefenate-Paneia. José casou com Asenate, a filha do sacerdote de Om, tornando-se, assim, num membro da classe sacerdotal. José tinha agora trinta anos.
Tal como José predissera, vieram sete anos de fartura, durante os quais ele armazenou uma grande quantidade de trigo em celeiros construídos para esse fim. A estes sete anos, seguiram-se sete anos de fome “sobre toda a face da terra” e “todos os povos vieram até ao Egipto comprar trigo a José” (Gn 41:56, 57; Gn 47:13, 14). Assim “José recolheu todo o dinheiro que se achou na terra do Egipto e na terra de Canaã, pelo trigo que compravam”. Depois, toda a terra, todo o gado e, por fim, os próprios egípcios, tornaram-se propriedade de Faraó.
Durante este período de fome, os irmãos de José também vieram ao Egipto comprar trigo. A história do seu comportamento para com eles e da maneira como se deu a conhecer é uma das mais interessantes narrativas que podem ser lidas (Gn 42-45). José pediu aos seus irmãos que regressassem e trouxessem o seu pai e a sua família para a terra do Egipto, dizendo: “Eu vos darei o melhor da terra do Egipto e comereis a fartura da terra. E não vos pese coisa alguma das vossas alfaias porque o melhor de toda a terra do Egipto será vosso”. Assim, Jacó e a sua família, setenta almas ao todo, juntamente com “tudo o que possuíam”, se dirigiu ao Egipto. Instalaram-se na terra de Gosen, onde José se encontrou com o seu pai e “se lançou ao seu pescoço e chorou sobre o seu pescoço longo tempo” (Gn 46:29).
As escavações do Dr Navill mostraram que a terra de Gosen é Wady Tumilat, situada entre Ismailia e Zagzig, em Gosen (a Qosem egípcia). Eles aí encontraram boas pastagens para os seus rebanhos. Era uma terra situada perto da fronteira asiática do Egipto e a família de Jacó ficava, desse modo, afastada do povo egípcio. Existe uma inscrição que diz que aquele foi um distrito atribuído aos pastores nómadas da Ásia.
Jacó acabou por morrer e no cumprimenro de uma promessa que ele tinha reclamado, José foi até Canaã para sepultar o seu pai na “cova que está no campo de Efrom, o heteu” (Gn 47:29, 31; Gn 50:1-14). Esta foi a última coisa que José fez e que está registada. José, depois, voltou para o Egipto.
‘A História de Dois Irmãos’, um romance egípcio escrito pelo filho de Faraó, o da opressão, contém um episódio muito similar ao do registo bíblico relativamente ao modo como José foi tratado pela mulher de Potifar. Potifar e Potifera são uma tradução dos nomes egípcios Pa-Tu-Pa-Ra, “a oferta do deus sol”. O nome dado a José, Zafenate-Paneia, é provavelmente o nome egípcio Zaf-Nti-Pa-Ankh, “o que alimenta aquele que vive”, i.e., o Faraó. Existem muitos exemplos de inscrições de estrangeiros no Egipto que receberam nomes egípcios e que atingiram altos cargos.
José e Asenate tiveram dois filhos - Manassés e Efraim (Gn 41:50). José fez com que os seus irmãos prometessem que, quando Deus “lhes desse a terra que prometera a Abraão, a Isaque e a Jacó”, eles levariam o seu corpo com eles. José morreu com a idade de 110 anos; e “eles o embalsamaram e o colocaram num caixão” (Gn 50:26). A promessa foi fielmente cumprida. Os seus descendentes, muito tempo depois, quando se deu o Êxodo, levaram o seu corpo com eles durante os quarenta anos de vagueações pelo deserto e sepultaram-no no pedaço de terra que Jacó comprara aos filhos de Hamor (Js 24:32; comp. Gn 33:19). Com a morte de José, a era patriarcal da história de Israel chegou ao fim.
O Faraó do tempo de José foi, provavelmente, Apepi, ou Apopis, o último dos reis Hiksos. Alguns, no entanto, pensam que José veio para o Egipto no reinado de Totmes II, muito depois da expulsão dos Hiksos.
O nome de José pode querer significar as duas tribos de Manassés e Efraim (Dt 33:13,17); o reino de Israel (Ez 37:16,19 e Am 5:6) e todo o povo do concerto (Sl 81:4).







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