sexta-feira, 31 de agosto de 2012
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SALOMÃO - Pacífico. (Heb. Shelomoh).
O segundo filho de David e Batseba, i.e., o primeiro depois de estarem casados legalmente (2Sm 12). Terá nascido por volta de 1035 AC (1Cr 22:5; 1Cr 29:1). Sucedeu a seu pai já na sua juventude, provavelmente com cerca de dezasseis ou dezoito anos de idade. Natã, a quem a sua educação fora confiada, chamou-lhe Jedidias, i.e., “por amor do Senhor” (2Sm 12 “nascido na dignidade real”. O seu pai escolheu-o para seu sucessor, passando por cima das queixas dos seus filhos mais velhos: “Certamente, meu filho Salomão reinará depois de mim”. A sua história está registada em 1Rs 1-11 e 2Cr 1-9. Subiu ao trono antes de o seu pai morrer e isto foi rapidamente conseguido principalmente por Batseba e Natã, em consequência da rebelião de Adonias (1Rs 1:5-40). Durante o seu longo reinado de quarenta anos, a monarquia hebraica atingiu o seu mais alto esplendor. Este período tem sido apelidado de “Era Augusta” dos anais judaicos. A primeira metade do seu reinado, contudo, foi a mais brilhante e próspera; a última parte foi nublada pela idolatria em que caíra, principalmente por causa dos seus casamentos pagãos (1Rs 11:1-8; 1Rs 14:21, 31).
Antes da sua morte, David deu ao seu filho as últimas instruções (1Rs 2:1-9; 1Cr 22:7-16; 28). Mal se instalou no trono e resolveu os assuntos do seu vasto império, aliou-se ao Egipto através do seu casamento com a filha de Faraó (1Rs 3:1), da qual, contudo, nada mais está registado. Rodeou-se de todos os luxos e grandeza externa de um monarca oriental e o seu governo prosperou. Aliou-se a Hirão, rei de Tiro, que o ajudou grandemente e de várias formas nos seus inúmeros empreendimentos.
Durante vários anos antes da sua morte, David envolvera-se na recolha de materiais (1Cr 29:6-9; 2Cr 2:3-7) para a construção de um templo em Jerusalém, para a futura permanência da arca do concerto ali. Não lhe foi permitido construir a casa de Deus (1Cr 22:8); essa honra estava destinada ao seu filho Salomão.
Após a construção do templo, Salomão envolveu-se na construção de vários edifícios em Jerusalém e noutras partes do seu reino. Durante treze anos, esteve envolvido na construção do seu palácio em Ofel (1Rs 7:1-12). Tinha cem cúbitos de comprimento, cinquenta de largura e trinta de altura. O majestoso tecto era suportado por 45 pilares de cedro e, por isso, o salão parecia uma floresta de madeira de cedro. Terá sido por este motivo que recebeu o nome de “a casa da floresta do Líbano”. Em frente a esta “casa” foi construída uma outra, que foi apelidada de “o pórtico dos pilares” e em frente desta situava-se o “pórtico do juízo” ou sala do trono (1Rs 7:7; 1Rs 10:18-20; 2Cr 17-19), “a porta do rei”, onde ele fazia justiça e concedia audiências ao povo. Este palácio era de uma grande magnificência e beleza. Uma determinada área foi colocada à parte, como residência da raínha consorte, a filha de Faraó. A partir deste palácio saía uma escadaria privada de madeira de sândalo vermelha e perfumada que conduzia ao templo.
Salomão também construiu grandes empreendimentos com o fim de garantir o pleno suprimento de água à cidade (Ec 2:4-6). Construiu, depois, Milo (LXX, “Acra”), para defender a cidade, completando uma linha de plataformas à volta dela (1Rs 9:15, 24; 1Rs 11:27). Construiu também muitas outras fortificações para defesa do seu reino em vários pontos, pontos esses que se encontravam expostos aos ataques dos inimigos (1Rs 9:15-19; 2Cr 8:2-6). Entre os seus grandes empreendimentos deve também ser mencionada a construção de Tadmor no deserto, servindo de entreposto comercial e posto avançado militar.
Durante o seu reinado, a Palestina gozou de grande prosperidade comercial. Por terra, efectuava-se um grande tráfico com Tiro, com o Egipto e com a Arábia. Pelo mar, com a Espanha, a Índia e as costas de África. Desta forma, Salomão acumulou uma grande riqueza e produtos de todas as nações (1Rs 9:26-28; 1Rs 10:11, 12; 2Cr 8:17, 18; 2Cr 9:21). Foi a “idade de ouro” de Israel. A magnificência real e o esplendor da corte de Salomão não tinham rival. Tinha setecentas mulheres e trezentas concubinas, uma prova do seu orgulho, da sua riqueza e da sua sensualidade. A manutenção da sua casa, criadagem incluída, envolvia grandes despesas. As provisões requeridas para um dia eram “trinta medidas de flor de farinha e sessenta medidas de farinha, dez vacas gordas e vinte vacas de pasto e cem carneiros, afora os veados e as cabras monteses e os corços e as aves cevadas” (1Rs 4:22, 23).
O reinado de Salomão foi não somente um período de grande prosperidade material mas também de uma notável actividade intelectual. Ele era bem o líder do seu povo também relativamente à instauração, entre eles, de uma nova vida intelectual. “E disse três mil provérbios e foram os seus cânticos mil e cinco. Também falou das árvores, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que nasce na parede; também falou dos animais e das aves e dos répteis e dos peixes” (1Rs 4:32, 33).
A sua fama espalhou-se pelo estrangeiro e vieram homens de longe e de perto “a fim de ouvirem a sabedoria de Salomão”. Entre os que, deste modo, foram atraídos a Jerusalém, estava a “raínha do sul” (Mt 12:42), a rainha de Sabá. “A sua ânsia deve ter sido realmente profunda e grande a fama que induziu a rainha de lugares tão longínquos a quebrar costumes imemoráveis da sua terra sonhadora e a reunir toda a energia requerida para enfrentar os fardos e os perigos de uma tão longa viagem pelo deserto. No entanto, ela empreendeu-a e levou-a a cabo em segurança” (1Rs 10:1-13; 2Cr 9:1-12). Ela ficou espantada com o que viu e ouviu: “o seu espírito deixou-a”. Depois de uma troca de presentes, ela voltou para a sua terra natal.
Mas essa época de ouro passou. Os dias de glória de Salomão terminaram cheios de nuvens e escuridão. O seu declínio e queda são um triste registo na sua vida. As principais causas para o seu declínio foram a poligamia e a sua grande riqueza. “À medida que ia envelhecendo, começou a passar mais tempo com as suas favoritas. O indolente rei, vivendo entre estas mulheres indolentes, pois mil mulheres, com todos os seus criados indolentes e perniciosos, enchiam os palácios e casas de prazer que ele construíra (1Rs 11:3), aprendeu primeiro a tolerar e depois a imitar os seus modos pagãos. Ele não deixou realmente de acreditar em Deus com a sua mente. Não deixou de oferecer os habituais sacrifícios no templo por altura das festas. Mas o seu coração não estava com Deus; a sua adoração tornou-se formal; a sua alma, esvaziada do verdadiero fervor religioso, procurou encher-se com uma qualquer excitação religiosa que a si próprio se oferecera. Agora, pela primeira vez, foi estabelecido publicamente um culto que era não só irregular e proibido, tal como o de Gideão (Jz 8:27) ou o dos danitas (Jz 18:30, 31) mas era também idolátrico” (1Rs 11:7; 2Rs 23:13).
Isto trouxe sobre ele a desaprovação divina. Os seus inimigos prevaleceram contra ele (1Rs 11:14-22, 23-25, 26-40) e os juízos caíram sobre a terra. Então chegou o fim e ele morreu após um reinado de quarenta anos, tendo sido sepultado na cidade de David. “Com ele foi sepultada a glória e a unidade de pouca duração em Israel”. “Ele deixa para trás um filho fraco e sem valor, que desmembrará o reino e desgraçará o seu nome”.
“O reinado de Salomão”, diz Rawlinson, “é de uma notável importância na história bíblica. Uma nação insignificante que, durante centenas de anos, mantivera com alguma dificuldade uma existência separada no meio de tribos dedicadas à guerra e que, uma após outra, exerceram domínio sobre ela, oprimindo-a, é, de repente, elevada à glória e grandeza pelo génio de um monarca soldado. É estabelecido um império que se estendeu desde o Eufrates até às fronteiras do Egipto, numa distância de 522 Kms; e este império rapidamente construído, entra quase imediatamente num período de paz que dura meio século. Riqueza, grandeza, magnificência, excelência artística e empreendimento comercial elevam-na a uma posição de dignidade entre as grandes nações da terra. Mas no fim, dá-se um colapso repentino. A nação é dividida em dois, a proeminência conseguida nos últimos anos perde-se e recomeçam as lutas, os conflitos, a opressão, a recuperação, a submissão inglória e os esforços desesperados.







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